MOZMUSEUM

FOTOGRAFIA © MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL DE MAPUTO | Fachada e entrada principal do edifício (pormenor)

Descrição sumariada

1. Objectivos

Objectivo estratégico

Promover a paz e a conservação da natureza através da comunicação do património.

Objectivos gerais

(a) Criar um instrumento de acesso à informação digitalizada sobre o património do MHN - Museu de História Natural de Maputo (Website).

(b) Promover a salvaguarda, a valorização e a dinamização do património do MHN.

(c) Promover a coesão social moçambicana.

(d) Promover e dinamizar o turismo cultural, académico e científico na Cidade de Maputo.

2. Enquadramento

Dos museus

Os museus são espaços-chave para fortalecer a visão de que a paz, para ser duradoura, deve primeiro ser construída na mente dos homens e mulheres por meio do diálogo e compreensão mútuos, e da solidariedade intelectual e moral da humanidade. Os museus, por meio das suas funções primárias de adquirir, conservar, investigar, comunicar e exibir o património, natural ou cultural, material ou imaterial, contribuem para o desenvolvimento da sociedade através da educação do estudo e da fruição, desempenham um importante papel na sociedade promovendo o desenvolvimento sustentável, a paz e os direitos humanos, a cultura da democracia e da inclusão social, e tomam como princípio fundamental que toda a pessoa tem o direito de participar livremente na vida cultural da comunidade, de desfrutar das artes e participar no avanço científico e seus benefícios.

Do património moçambicano

Moçambique é um vasto território dotado de uma grande e rica diversidade de recursos naturais, incluindo os paisagísticos e lugares de extraordinária beleza, as águas interiores conformadas por rios, lagos e lagoas, as riquezas do subsolo, a imensa linha de costa oceânica, os ecossistemas e habitats, incluindo os de montanha e ilhas, a biodiversidade e os recursos genéticos, e um sistema de extensas áreas de protecção ambiental visando a conservação da vida selvagem, animal e vegetal. A par desta riqueza natural, Moçambique é também um país com uma enorme e rica diversidade cultural, étnica e linguística que, conjuntamente com as características sociológicas e antropológicas da sua população, com expressão nos usos, costumes e modos de vida nas mais diversas comunidades e grupos, tem, ao longo dos tempos, prosseguido a construção de uma identidade histórica e cultural com sublimes apontamentos de autenticidade, genuinidade e unicidade. Esta complexidade e diversidade de aspectos e dimensões conformam um importante e significativo património que está na base não só do seu desenvolvimento social, cultural, económico e ambiental mas também na formulação de linhas e horizontes de evolução.

Considerando que a protecção e promoção da diversidade cultural e natural são os principais desafios do século 21 e que os museus e seus acervos e colecções constituem os principais meios pelos quais os testemunhos tangíveis e intangíveis da natureza e das culturas humanas são salvaguardados, considerando também que os museus, ao promoverem o conhecimento do mundo natural e do nosso lugar nele, utilizando as suas colecções para contar a história do nosso planeta, sendo elas um registo da interacção humana com o mundo natural e entre si, utilizando-as como guia e ponto de partida para promover a curiosidade e inspirar as futuras gerações de cientistas e investigadores, e considerando finalmente que a acção e influência dos museus fomentam, directa e indirectamente, as actividades económicas, a interligação dos sectores económicos e dos agentes empresariais, a dinamização da inovação, da competitividade e da internacionalização, torna-se essencial dotar o país de um instrumento que vise comunicar a riqueza e a diversidade do património nacional moçambicano, entendido na sua generalidade e abrangência, e tomado na universalidade e diversidade dos seus vários componentes, nomeadamente o cultural e o natural, o material e o imaterial.

3. Situação actual

3.1. Do património natural

3.1.1. Da temática global

O estado do mundo e o actual e acelerado processo de globalização e degradação ambiental tem colocado a humanidade perante o enorme desafio e responsabilidade em implementar a nível global a filosofia do desenvolvimento sustentável, porventura o único modelo visionável de desenvolvimento civilizacional capaz de garantir a manutenção e a preservação dos mecanismos da utilização racional e sustentável dos recursos naturais que estão na base e são o suporte da vida do homem enquanto espécie e neste planeta.

A conservação da natureza em todos os seus aspectos e domínios encontra-se ameaçada pelas más práticas em curso, pelos modelos de produção e hábitos de consumo potenciados pelo aumento demográfico, e pelas consequências da má governação.

A depleção dos recursos naturais e os impactos adversos da degradação do meio ambiente, incluindo a desertificação, a seca, a degradação e destruição dos ecossistemas e habitats, a progressiva escassez de água doce e a perda da biodiversidade, exacerbam e soma à lista de perigos e desafios que a humanidade enfrenta, e com consequências ainda não totalmente visionáveis e apreciadas por grande parte da população mundial.

O processo em curso e já observável das alterações climáticas é um dos maiores desafios do nosso tempo e cujos impactos negativos comprometem seriamente a capacidade dos vários países em implementar e alcançar os objectivos do desenvolvimento sustentável.

O aumento global da temperatura e do nível do mar, a acidificação dos oceanos e outros impactos das alterações climáticas estão a afectar seriamente as zonas costeiras e os países com linhas de costa de baixa altitude, incluindo muitos dos países menos desenvolvidos, ou em vias de desenvolvimento, e os situados em pequenas ilhas ou arquipélagos.

Por consequência, está em risco a sobrevivência de muitas comunidades e seus modos de vida, e a subsistência dos sistemas de suporte da biosfera no planeta, o garante último dos mecanismos e processos de manutenção da vida neste planeta.

O século 21 será absolutamente determinante para se tomarem, com firmeza, coragem e determinação, as grandes decisões que irão definir o futuro próximo da humanidade, decisões que deverão ser tomadas por cada cidadão, individualmente, e, colectivamente, pelas várias instituições de cada país.

Esta problemática configura um mundo actual em acelerado processo de mudança e que tem posicionado a humanidade num ponto singular de viragem civilizacional, com excepcionais características nunca antes visionadas na história e potencialmente sem retorno, entre elas a mudança no mundo natural e a perda irreparável da biodiversidade, potenciados pela desgovernada, danosa e descuidada acção do homem.

3.1.2. Do papel dos museus de história natural

O património natural, incluindo o paisagístico, é um bem inestimável à civilização e o suporte último da vida neste planeta e que deve a todo o esforço ser defendido, protegido e preservado em todos os seus aspectos e dimensões.

Os museus de história natural prestam um extraordinário papel nesse esforço, incluindo pela existência do acervo que serve de referência histórico às gerações vindouras e pelos programas de investigação e desenvolvimento integrados na sua abrangente acção, incluindo, entre eles, os programas educacionais que promovam positivamente uma pedagogia junto dos mais jovens, aqueles que irão herdar este mundo em mudança.

Do património cultural

 

3.2. Do Museu de História Natural

3.2.1. Situação

3.2.1.1. Da missão e das intenções dos Museu

O Museu Nacional de História Natural de Maputo é uma incontornável referência na identidade moçambicana, sendo um museu nacional dotado de um significativo percurso histórico e de um extraordinário acervo que contém, entre outras coisas, colecções únicas do mundo natural.

O Museu tem por missão institucional:

Preservar e divulgar o património faunístico de Moçambique, incentivar a investigação científica da fauna e seus ecossistemas, e promover a educação ambiental formal e informal aos cidadãos, contribuindo para o uso e gestão sustentável dos recursos naturais e ecossistemas de Moçambique.”

Dentro do contexto descrito, o Museu tem interesse agora em:

(a) Promover o conhecimento do mundo natural e do nosso lugar nele, utilizando as suas colecções para contar a história do nosso planeta e, sendo um registo da interacção humana com o mundo natural e entre si, utilizá-las como guia e ponto de partida para promover activamente um mundo mais sustentável.

(b) Utilizar o seu acervo, assumindo-o como um factor essencial, para promover a curiosidade e inspirar as futuras gerações de cientistas e investigadores.

(c) Assumir a responsabilidade social de contribuir activamente para o avanço da sociedade e a responsabilidade ambiental de defender, proteger e conservar o mundo natural, vivendo-se em harmonia com a natureza.

(d) Promover a formulação e implementação de programas e projectos de investigação e desenvolvimento, e, entre estes, os especialmente dirigidos para a sensibilização, informação, consciencialização e educação sobre o mundo natural e a problemática a ele ligado pela acção do homem.

3.2.1.2. Das necessidades e carências do Museu

[Fonte de informação: Direcção do Museu]

(a) Materiais e consumíveis para curadoria das colecções científicas:

(a.1) Frascos de vidro com tampas de vidro.

(a.2) Álcool etílico para manutenção de espécimes.

(a.3) Alfinetes de entomologia e pincéis de limpeza de espécimes.

(a.4) Papel de algodão para etiquetas.

(b) Treino e formação:

(b.1) Promoção do intercâmbio de cientistas especializados nas áreas de entomologia, invertebrados marinhos e peixes, anfíbios, répteis e pequenos mamíferos.

(b.2) Promoção e financiamento de visitas de intercâmbio de investigadores e técnicos do Museu com outros Museus para aprenderem técnicas modernas de curadoria.

(b.3) Cursos avançados de taxonomia e descrição de espécimes com ênfase para as áreas de invertebrados aquáticos, anfíbio se répteis.

(b.4) Formação em digitalização de colecções, gestão e armazenamento de dados.

(b.5) Treino da equipe técnica da taxidermia do Museu na aplicação de técnicas modernas de taxidermia (trabalhos em fibra de vidro), técnicas de restauro de peles das colecções expositivas.

(c) Equipamentos e infraestruturas:

(c.1) Equipamento de digitalização e armazenamento de dados sobre espécimes.

(c.2) Equipamento de digitalização e arquivo do acervo da biblioteca do Museu.

(c.4) Aquisição de equipamentos de captura de pequenos mamíferos, peixes e anfíbios.

(c.5) Construção de um novo edifício de raiz, integrando salas de preparação e de armazenamento de colecções científicas de fauna, incluindo gabinetes de trabalho.

(c.6) Equipamentos de campismo para uso nas expedições científicas e trabalhos de campo.

(d) Expedições e intercâmbio entre museus:

(d.1) Treino em preparação e submissão de propostas de projectos e investigação para a realização de expedições científicas de biodiversidade em áreas seleccionadas em Moçambique.

(d.2) Identificação de parcerias para levantamentos de biodiversidade em áreas livres com elevada importância biológica.

(d.3) Bolsas de financiamento para a participação de estudantes universitários nas expedições científicas.

(d.4) Bolsas de financiamento para a participação de investigadores do Museu em conferências internacionais.

3.2.2. Visão estratégica

3.2.2.1. Introdução

As orientações dimanadas pelo ICOM – International Council of Museums e os princípios subjacentes à filosofia da ecomuseologia, algumas vezes também descritos e ampliados pela museologia social, estabelecem claramente a importância que os museus detêm actualmente junto da comunidade onde se inserem, difundindo orientações pedagógicas e promovendo a sua influência e acção através de programas e projectos de investigação e desenvolvimento, tornando-se agentes activos no desenvolvimento social, cultural, científico e económico.

Neste sentido, e considerando o seu abrangente quadro multidisciplinar e transversal de acção, os museus tornam-se entes fundamentais na implementação da filosofia do desenvolvimento sustentável integrando, de forma harmoniosa, actividades nos domínios social, ambiental e económico.

Tudo somado, há muito que os museus compreenderam o seu papel no desenvolvimento das sociedades, tornando-se instituições abertas ao mundo e às pessoas e não fechados em si mesmos, nas suas colecções e dentro das suas paredes.

Os museus são pois pontos focais de desenvolvimento das sociedades, cabendo-lhes titular planos de acção, difundir e explicar aos cidadãos os temas prementes da sociedade, e educar a sociedade para a necessidade de todos contribuírem para a construção de um mundo mais sustentável e resiliente. Neste sentido, as suas colecções servem, precisamente, de bases e referenciais históricos.

É, pois, este o ponto de partida do presente programa de acção junto ao Museu Nacional de História Natural de Maputo, visando contribuir positivamente para o seu posicionamento na cidade e no país como um agente fundamental de mudança e desenvolvimento integrado da sociedade, num espírito de abertura ao meio envolvente, de agregação de parceiros e fomentando a cooperação com e entre todos, estabelecendo desse modo, e através de um quadro lógico e conceptual de acção, a integração dos agentes económicos, sejam institucionais ou simples cidadãos.

O objectivo final é contribuir para a prosperidade do país, alargar e aprofundar a igualdade de oportunidade a todos, sobretudo junto aos mais frágeis ou vulneráveis, e afirmar-se como uma instituição fundamental na investigação científica e dentro do quadro da sua missão. A linha de partida é a UN Década da Biodiversidade (2011-2020), o horizonte próximo é o início da UN Década da Oceanografia (2021-2030), e o pano de fundo são os Objectivos do Desenvolvimento Sustentável e a Agenda 2030.

3.2.2.2. Objectivos estratégicos

(a) Conceber e desenvolver o Sítio Oficial na internet do Museu, visando difundir publicamente uma nova imagem e a universalidade do seu acervo, colecções, programas, projectos e actividades.

(b) Promover uma plataforma de cooperação angariando parceiros, fornecedores oficiais, patrocinadores, mecenas e outros apoios institucionais, incluindo os altos patrocínios, visando o engajamento das entidades que conjuntamente se revêm na acção do Museu e que contribuem para a sua dinâmica e sustentabilidade.

(c) Promover programas e actividades em interligação com os agentes e operadores turísticos da cidade de Maputo, visando as viagens de lazer e estudo junto das áreas de conservação na imediata vizinhança da cidade, particularmente a Reserva Especial de Maputo, a Ilha da Inhaca e a Reserva Marinha Parcial da Ponta do Ouro.

(d) Promover programas e actividades em interligação com os artistas plásticos da cidade de Maputo, visando implementar um plano de merchandizing do Museu e um regime de partilha da receita gerada por todos os envolvidos.

(e) Promover programas e actividades de literacia do oceano, sobretudo junto da rede escolar moçambicana, com enfoque nas crianças e jovens, visando, particularmente, difundir informações turísticas, científicas e educacionais sobre as ilhas e arquipélagos de Moçambique tendo como horizonte o início da UN Década da Oceanografia já em 01 de Janeiro de 2021.

(f) Conceber e promover uma rede de trabalho científico (network) angariando entidades de investigação e desenvolvimento estrangeiras e moçambicanas, e, entre estas, particularmente os departamentos e unidades da Universidade Eduardo Mondlane, a ANAC – Administração Nacional das Áreas de Conservação e outros institutos e centros dedicados à investigação e desenvolvimento, incluindo do sector privado.

4. Implementação

No seguimento destas considerações, torna-se fundamental agora criar um

'arquivo digital sobre o património integrante do
Museu de História Natural de Maputo'

Para a sua realização, dever-se-á:

(4.1) Constituir equipas técnicas e profissionais.

(4.2) Criar e gerir a base informática e tecnológica do arquivo digital.

(4.3) Criar a estrutura conceptual organizativa do arquivo digital.

(4.4) Estabelecer parcerias colaborativas com as partes interessadas (stakeholders).

(4.5) Formular o programa de trabalho, estruturando-o em componentes, fases, metas e objectivos parciais, equipas de trabalho, estabelecer o cronograma da sua execução, e elaborar o orçamento indicativo.

(4.6) Produzir, realizar, editar, inserir e manter os conteúdos digitais no arquivo digital.

(4.7) Criar e implementar o regime de capacitação financeira e material, e executar o orçamento.


Ficha técnica

Título:

MOZMUSEUM

Descritivo:

Construção do sítio oficial na internet (Website)

Prazo indicativo:

2022-2025

Tipo:

Interinstitucional

Natureza:

Multidisciplinar e interdisciplinar

Coordenação:

Museu de História Natural de Maputo

Mozambique Museums, Limitada

Parceiros:

Museu de História Natural de Maputo

Mozambique Museums, Limitada

EFAO

Visite o Portal do Património

Portal do Património

 

 

A imagem supra é um logótipo que identifica o programa, e está registado no IPI - Instituto da Propriedade Industrial (Moçambique).
Consulte a página Identidade & Sinais